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Droga controla infecção urinária

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Um artigo publicado na edição do dia 16 novembro da revista Science Translational Medicine, traz importantes informações sobre o desenvolvimento de um medicamento que pode diminuir a elevada taxa de infecções do trato urinário (ITU).

A ITU caracteriza-se pela invasão e multiplicação bacteriana em qualquer segmento do aparelho urinário, ocasionando uma bacteriuria sintomática ou assintomática. Essa infecção pode acometer o trato urinário inferior (cistites e uretrites) e o trato superior, como os rins e a pelve renal (pielonefrites).

Com uma proporção de 3:1, essa classe de infecção atinge na maior parte das vezes as mulheres, com exceção para o primeiro ano de vida, quando pode haver um maior número de casos no sexo masculino. Prevalecendo nesse período, a sua incidência se eleva novamente durante a adolescência, quando as alterações hormonais favorecem a colonização vaginal por bactérias nefritogênicas, que podem migrar para a área periuretral e ascender pelo trato urinário, causando ITU.

Esse quadro, que é bastante preocupante dos pontos de vista, pessoal e de saúde pública, se agrava ainda mais com o uso indiscriminado de antibióticos, que leva a uma seleção de indivíduos mais resistentes e, portanto, diminuindo a eficácia do tratamento. No entanto, a pesquisa desenvolvida por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington, EUA, traz uma nova esperança para o controle dessa infecção. O grupo de pesquisadores liderados pelo professor de microbiologia molecular daquela universidade norte-americana, Scott J. Hultgren, desenvolveu uma droga capaz de controlar a principal bactéria causadora da ITU, a Escherichia coli uropatogênica (UPEC, sigla do nome em inglês).

A droga contém compostos de pequeno peso molecular denominados manosídeos, derivados da manose (carboidrato), e que se caracterizam por serem capazes de inibir, especificamente, o pilus de lectina FimH tipo 1 da UPEC, que media a colonização bacteriana, invasão e formação de comunidades bacterianas intracelulares recalcitrantes no epitélio da bexiga. O pilus, estrutura cilíndria e tubular, contém uma proteína que atua como um tipo de cola que faz com que esses microrganismos se fixem na parede da bexiga, assim como ajuda na formação de colônias de bactérias. Essa substância permite que elas fiquem aderidas umas às outras de forma cooperativa, aumentando a resistência aos antibióticos e ao sistema imunológico.

Utilizando camundongos, como forma de testar essa nova droga, a equipe de cientistas verificou que sua eficácia terapêutica se deu após a administração oral para o tratamento de infecções do trato urinário. O seu mecanismo de ação tem como alvo a extremidade do pilus FimH, onde se encontra a proteína adesina, superando a exigência convencional para a penetração da droga na membrana externa da bactéria, minimizando o potencial para o desenvolvimento de resistência.

O resultado positivo do uso desses compostos de baixo peso molecular pode significar um novo caminho para o tratamento dessas infecções, trazendo importantes benefícios, principalmente para as mulheres que sofrem de infecções crônicas e recorrentes.

18/11/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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