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Genes da resistência a antibióticos

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Um dos maiores desafios dos infectologistas e da medicina de forma geral é o controle das infecções hospitalares. As unidades de terapia intensiva (UTI), de queimados e de câncer, são os locais onde se esperam elevados índices de infecção hospitalar (IH). Procedimentos invasivos e o elevado uso de antimicrobianos, são os dois fatores que somados, tornam esses ambientes propícios ao surgimento dos patógenos multirresistentes.

O desenvolvimento de resistência pelos microorganismos tem atingido um elevado grau, principalmente por Pseudomonas aeruginosa, em pacientes internados em UTI e hospitais escola. Isso se deve, muito provavelmente, à utilização precoce e empírica de antibióticos de largo espectro, estratégia esta que favorece a seleção de bactérias resistentes.
 
Interessados em compreender melhor os mecanismos que conferem esse tipo de resistência, pesquisadores do Centro de Genética Microbiana e Vegetal, da Universidade Católica Leuven, Bélgica, desenvolveram um estudo com P. aeroginosa – bacilo aeróbio Gram-negativo não fermentador de açúcar, pertencente à família Pseudomonaceae – e  que foi publicado no Journal of Medical Microbiology.

Nesse artigo, os cientistas, liderados pelo professor Jan Michiels, descobriram que outro mecanismo, além daquele determinado pelo genoma da P. aeroginosa, é responsável por conferir a esse microorganismo a resistência à antibióticos. Dados obtidos anteriormente pelos cientistas por meio da seleção de bactérias resistentes à formicina mostraram que o fator não hereditário, conhecido como persistência, interage com o genético aumentando muito a capacidade dessas bactérias em resistir a esses medicamentos.

Eles descobriram que a superexpressão do gene fosA (PA1129) conferiu resistência à fosfomicina por modificação enzimática do antibiótico, e, além disso provoca a diminuição no número de células persistentes, sobrevivendo ao tratamento com ofloxacina. Tanto um como o outro fenótipo – resistentes à fosfomicina e à ofloxacina – necessitam da função enzimática do gene, devido à mutação dos resíduos de Arg119 (arginina). Esse fenômeno anula a resistência à fosfomicina e diminui a persistência.

Os pesquisadores comprovaram a atuação do mecanismo de resistência à fosfomicina sobre a persistência ao observarem um linhagem de bactéria com genótipo similar, carregando a mutação glpT (PA5235), a qual codifica o glicerol-3-fosfato, necessário para a absorção desse antibiótico. 

A partir dos experimentos foi possível comprovar que a resistência à fosfomicina, expressada tanto pela mutação do glpT como pela superexpressão do fosA, determina a diminuição do número de células persistentes, quando tratadas com ofloxacina. Os resultados podem ajudar à diminuir a incidência de infecções, principalmente nas UTI’s. 

13/01/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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