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Sal híbrido combate malária

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De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), a transmissão da malária  ocorre principalmente na região amazônica, onde 10-15% da população está em risco, o que corresponde a 60% dos casos notificados. No continente americano, o Brasil responde por mais da metade do número total estimado.

A malária, também conhecida como paludismo, é uma doença infecciosa, transmitida ao homem por meio da picada da fêmea do mosquito anopheles (vetor), transfusão de sangue e compartilhamento de seringas e agulhas infectadas. Ao picar a pessoa, o mosquito, que é hematófago, injeta a saliva que contém uma substância anticoagulante, e é nesse momento que há a transmissão do agente causador da doença, o protozoário do gênero Plasmodium. No Brasil, são encontradas três espécies de plasmódios, o vivax, o falciparum e o malariae.

Febre, sensações de frio e calor, náuseas, hemorragias e fadiga são os diversos sintomas causados por esses parasitas. Seu combate é realizado por meio da eliminação dos insetos e através da vacinação.   A doença pode provocar problemas hepáticos, respiratórios, cardiovasculares, cerebrais e gástricos. O tratamento é realizado por meio de remédios à base de uma substância chamada quinina.

Na busca por medicamentos mais eficazes no combate à malária, o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rio de Janeiro, em colaboração com o Centro de Pesquisa René Rachou (CPqRR), Minas Gerais, está desenvolvendo um novo produto, o sal híbrido Mefas - um insumo farmacêutico ativo (IFA) resultante da combinação das substâncias artesunato (AS) e mefloquina (MQ).

O AS faz parte de um grupo drogas utilizadas para tratar a malária. Essa substância é um derivado semi-sintético da artemisinina, que é solúvel em água, podendo ser administrada por via injetável. A MQ é um fármaco utilizado na profilaxia e tratamento da malária ocasionada por Plasmodium falciparum resistente à cloroquina.

A formulação do ASQM produzida pela Fiocruz atualmente, tem uma dosagem fixa dessas duas substâncias, como preconizado pela OMS. Quando comparado com o ASQM, o Mefas se mostrou mais eficaz do que o artesunato e o mefloquina, usados tanto na forma isolada, quanto na combinada.

Uma vantagem apresentada pelo Mefas é a ausência de toxicidade, mesmo quando administrado em uma dosagem 100 vezes maior do que a indicada. Em experimentos com ratos infectados, a cura com o Mefas foi alcançada usando uma dosagem que corresponderia à metade da dose de ASQM. Esses dados mostram que esse medicamento causa menores efeitos colaterais. Os ensaios de biodisponibilidade, ou seja, o grau de absorção da substância pelo organismo e sua disponibilidade no local de ação, já foram iniciados pela Fundação.

Passadas essas etapas iniciais das pesquisas, novos investimentos serão necessários para a realização da fase final dos estudos, por isso, a Fiocruz está buscando parceiros que possam viabilizá-los. A intenção é disponibilizar o novo medicamento à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), assim como, para outros países endêmicos.    

25/11/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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