Fatores sociais ligados ao vírus VHC |
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Um estudo desenvolvido por pesquisadores do estado de São Paulo analisou diferentes aspectos de diversos genótipos do vírus da hepatite C e a relação que a rede de contatos sociais dos indivíduos têm para a sua transmissão. A pesquisa se baseou na análise dos dados das sequências genéticas extraídas de amostras de sangue de 591 pacientes de cidades paulistas. O trabalho foi publicado na edição do dia 24 de junho da revista científica PLoS ONE.A hepatite C é causada pelo vírus VHC (vírus da hepatite C) e a principal via de transmissão é o contato do sangue e das secreções contaminadas com o sangue de um indivíduo sadio (via parenteral). De acordo com os dados do Ministério da Saúde, no ano passado a hepatite C infectou cerca de 15 mil pessoas. Segundo informações de um grupo de apoio a portadores da doença, de cada 40 pessoas, uma tem o vírus. Os genótipos - subtipos do vírus - são considerados fatores importantes na resposta ao tratamento e podem ser classificados em: 1a, 1b, 2a, 2b, 3, 4, 5a, 6a. Alguns genótipos têm distribuição em todo o mundo (1a, 1b, 2a, 2b), enquanto outros são somente encontrados em regiões específicas (5a e 6a). No Brasil, encontramos os genótipos 1a, 1b, 2a, 2b e 3, com predominância do genótipo 1 sobre os genótipos não-1 (60% e 40% respectivamente). O genótipo 1 tende a responder de maneira mais difícil ao tratamento que os demais (genótipos não-1). De posse das amostras de sangue dos pacientes, os cientistas realizaram o arranjo em seqüência parcial do gene NS5B. Os resultados mostraram que os diferentes genótipos entraram no estado de São Paulo em momentos diversos, com taxas de crescimento distintas e que estão associados a grupos de diferentes idades e comportamentos de risco. A partir dessas análises os cientistas identificaram que o subtipo 1b é mais antigo e que o seu crescimento foi mais lento, quando comparado com os subtipos 1a e 3a, e que ele está associado a diferentes faixas etárias. Já os subtipos 1a e 3b estão relacionados com jovens infectados, mais recentemente, e que possivelmente aja maiores taxas de transmissão sexual. O estudo desses parâmetros revelou que as dinâmicas de transmissão do vírus no estado de São Paulo variam de acordo com o subtipo e são determinadas por uma combinação de idade, exposição ao risco e da rede social. Baseados nesses dados, os pesquisadores puderam concluir que os fatores sociais podem influenciar diretamente na determinação e no padrão de disseminação do vírus. Eles acreditam também que esse estudo irá ajudar o poder público no planejamento de ações preventivas, no sentido de dificultar a transmissão do vírus.
02/07/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
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