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Nova possibilidade terapêutica do câncer

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Com o foco na dinâmica de composição das células humanas, pesquisadores da Universidade de Michigan, Estados Unidos, fizeram um importante progresso no entendimento da transformação de células normais em cancerosas, buscando cessar essa “metamorfose”.

A enzima telomerase apresenta um papel essencial no âmbito dos tumores. Trata-se de uma DNA polimerase especializada, que adiciona sequências teloméricas no final da fase de síntese do ciclo celular, compensando a natural perda dos telômeros. Esta proteína é composta por dois tipos de subunidades, uma subunidade protéica, com atividade catalitica de transcriptase reversa, e uma subunidade de RNA, com uma sequência complementar a telomérica.

O arranjo responsável pela manutenção do telômero é composto por um subconjunto de proteínas que se ligam diretamente a essas estruturas e que tem um papel positivo ou não na regulação da telomerase. Uma falha em um desses componentes protéicos leva a sérias desordens de instabilidade genética, e em ultimo caso, a predisposição para o câncer.

Sob controle da proteína TRF1, a telomerase é moderada e assim os telômeros operam de maneira correta. Mas uma outra proteína, Fbx4, pode se ligar a TRF1 e degradá-la, causando o alongamento telomérico. Agora, os pesquisadores descobriram uma terceira macromolécula protéica, TIN2, que pode se ligar a TRF1, intervindo e substituindo a anexação de Fbx4. Esta descoberta abre o caminho para o desenvolvimento de um medicamento que atue da mesma forma que esta proteína recém conhecida. Os resultados do estudo aparecem na Developmental Cell.

Em 90 por cento dos cânceres, independente do que levou a sua formação, a atividade da telomerase é necessária para a manutenção das células do tumor. Sem esta enzima, a estrutura celular morrerá. A pesquisa dos cientistas norte americanos é fundamental para a compreensão do mecanismo detalhado de como as moléculas envolvidas se interagem e de como desenvolver uma terapêutica para bloquear a Fbx4.

Os especialistas descobriram que a posição na molécula onde Fbx4 se liga a TRF1 é uma sobreposição de onde TIN2 se conecta à TRF1. Na presença desses dois ligantes, entretanto, a proteína descoberta ganha prioridade e se une primeiramente a TRF1, mantendo o comprimento dos telômeros sob controle.

Encontrar os peptídeos que imitam a conexão de TIN2 a TRF1 é o grande foco atual de interesse do grupo de pesquisa. O trabalho ainda está em estágios preliminares e nenhuma terapia nova encontra-se, portanto, em fase de teste em pacientes.

Se um medicamento for descoberto, este poderá afetar todos os cânceres. Atualmente, as terapêuticas mais modernas endereçam uma via, ou um gene, que estejam envolvidos em determinados tipos de câncer. Todavia, no caso da telomerase, por se encontrar presente em todos os casos da doença, esta constitui um alvo de maior amplitude. A expectativa de desenvolvimento de um tratamento é, portanto, animadora para os enfermos e desafiadora para os cientistas.
26/02/2010
Ana Xavier Landuyt - Equipe Biotec AHG
 

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