Genética influencia níveis glicêmicos |
|
. |
Na edição do dia 17 de janeiro da Nature Genetics foram publicados os resultados de dois importantes estudos relacionados à influência de variantes genéticas, sobre os níveis de glicose e resposta à insulina e o risco de desenvolver a diabete tipo 2. As pesquisas foram conduzidas por cientistas do MAGIC (Meta-Analyses of Glucose e Insulin Related Traits Consortium). A partir de uma amostragem de 46.186 voluntários não diabéticos, o MAGIC realizou uma meta análise de 21 estudos de associação de vários genomas com informações sobre os níveis de glicose e de insulina durante o jejum, os índices de função das células beta (HOMA-B) e a resistência à insulina (HOMA-IR). O objetivo foi o de identificar novos loci gênicos que exercem influência sobre a glicemia. O índice de HOMA (Homeostasis Model Assessment: IR e Beta) é um cálculo baseado nas dosagens da insulinemia e da glicemia, quando em jejum. Ele foi descrito em 1985 por David Matheus e tem como objetivo determinar a resistência à insulina e a capacidade funcional das células beta pancreáticas, HOMA IR e HOMA BETA, respectivamente. Dos 25 loci gênicos analisados, em 76.558 indivíduos identificados, dezesseis eram associados aos níveis de glicose, quando em jejum, e HOMA-B. Outros dois estão relacionados com a resistência à insulina, também em condição de jejum, e HOMA-IR. Os pesquisadores descobriram novas associações de nove loci com os níveis de glicose (em jejum) e de um loco que influencia tanto a insulina (em jejum) quanto a HOMA-IR. Foi possível mostrar também a associação de cinco genes com a diabete tipo 2, sendo que dentre eles, um chamou mais a atenção dos pesquisadores, que foi o polimorfismo de nucleotídeo simples (single nucleotide polymorphism, SNP) na região do gene ADCY5 (codifica a enzima adenilato ciclase tipo 5). O outro SNP descoberto foi o da região do gene FADS1 (codifica a enzima ácido graxo desaturase 1 ou fatty acid desaturase 1) que está relacionado com o nível de glicose, em jejum, e com a quantidade de lipídeos. A outra pesquisa desenvolvida pelos cientistas teve como objetivo avaliar a influência da variação genética do GIPR (do inglês, Gastric inhibitory polypeptide receptor), que são proteínas encontradas nas células beta do pâncreas, sobre a resposta à administração oral de glicose e de insulina. O GIP, também chamado de polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (glucose-dependent insulinotropic polypeptide), é sintetizado pelas células K do duodeno e do intestino delgado. O efeito insulinotrópico das células beta das ilhotas pancreáticas foi reconhecido como a principal ação fisiológica do GIP, sendo ele também o responsável pela secreção de insulina após a ingestão. Nesse estudo, os pesquisadores tomaram como base a medida clínica de tolerância à glicose para o diagnóstico da diabete tipo 2, que são os níveis de glicose circulante duas horas após a sua ingestão. Para isso, foi realizada a meta análise de uma ampla associação de estudos realizados com nove genomas e a avaliação de vinte e nove loci independentes. Eles identificaram que variantes no loco do GIPR, no alelo A, estavam associadas ao nível de glicose após duas horas da sua ingestão. Os pesquisadores conseguiram demonstrar também que os GIPR que carregam aquele alelo, provocam a diminuição da secreção da insulina e o efeito da incretina – grupo de hormônios gastrointestinais que aumentam a quantidade de insulina liberada a partir das células beta das ilhotas de Langerhans, após a ingestão de alimentos, mesmo antes que os níveis de glicose no sangue tornam-se elevados. Outras variantes foram encontradas, porém apenas a ADCY 5 estava associada à diabete tipo 2. De acordo com os resultados obtidos, os pesquisadores conseguiram demonstrar a importância dos estudos genéticos sobre a glicemia e como eles podem ajudar na identificação dos loci responsáveis pelo risco de desenvolver a diabete e daqueles que possuem variações, em genes ligados a um pequeno aumento dos níveis de glicose, mas que não estão associados de forma clara à doença.
21/01/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
© Biotec AHG 2010 - Todos os direitos reservados - Rua Dr. Melo Alves, 529, cj. 82. Cerqueira César. São Paulo - SP. Cep: 01417-010