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Terapia inovadora do câncer com RNA

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O câncer é a segunda causa de morte nos Estados Unidos e está entre as três primeiras no Brasil. Mais de 10 milhões de novos casos de câncer são registrados anualmente no mundo. O maior desafio consiste em localizar e tratar um tumor sem pertubar o tecido saudável ao redor.

Pesquisadores do Centro Médico da Universidade Duke, Estados Unidos, elaboraram um método capaz de oferecer tratamento direto aos tumores através de moléculas especiais, chamadas aptâmeros, que se ligam especificamente ao tecido vivo do tumor. Eles selecionaram um grande reservatório desses componentes em roedores com câncer de fígado, até que encontraram a molécula mais adequada para conectar a alguma proteína tumoral. O foco principal dos cientistas consiste em explorar produtos químicos associados à aptâmeros, de modo que estas moléculas possam entregar os agentes antitumorais onde eles são necessários, etapa que consiste na próxima fase da pesquisa. O estudo foi publicado na revista Nature Chemical Biology.

Aptâmeros são pequenos pedaços de RNA que se ligam a uma molécula-alvo específicas, geralmente uma proteína. Elas oferecem a vantagem de uso, porque podem ser facilmente regeneradas e modificadas e, portanto, têm maior estabilidade se comparadas a outros agentes. Notadamente, esses fragmentos de ácido ribonucleico têm uma chance muito baixa de interferência no sistema imunológico, tornando-os grandes candidatos para o diagnóstico e terapia do tumor.

O aspecto mais positivo consiste na não necessidade de conhecimento detalhado sobre as alterações protéicas antes do processo de seleção. Isso simplifica muito o processo de desenvolvimento de sondas moleculares. Os aptâmeros selecionados podem ser usados para descobrir as proteínas não previamente relacionadas com a doença em questão, o que é favorável para acelerar a busca por terapias mais eficazes.

Centrados primeiramente no câncer hepático, um tipo de tumor metastático que muitas vezes resulta da região do cólon, os pesquisadores puderam confirmar a hipótese de que as células normais rejeitam a aderência de moléculas de RNA. Desta forma, fica possível encontrar os fragmentos ribonucleicos que interagem especificamente com o tumor.

A retirada tumoral foi realizada e seu RNA específico extraído. Posteriormente, os cientistas amplificaram o material genético dessas amostras e reinjetaram as moléculas para visualizar quais se conectavam mais fortemente ao tumor. Eles repetiram este processo 14 vezes para encontrar um bom candidato. A equipe identificou um aptâmero que se liga especificamente ao RNA da helicase p68, uma proteína nuclear produzida em tumores colo-retal. Este componente não se conecta somente a p68 em cultura de células, mas também aos depósitos de câncer em um animal vivo.

A boa notícia sobre a abordagem com fragmentos ribonucléicos é a sua provável multiplicidade de utilizações, ou seja, ela poderia ser usada para descobrir as “assinaturas” moleculares de muitas outras doenças. O mesmo processo é também interessante para ser repetido com diferentes tipos de tumores. Por exemplo, um cientista pode considerar uma linha de câncer de mama e cultivá-la no pulmão como um modelo de metástase e em seguida, executar a seleção in vivo para identificar ligações específicas de RNAs para o tumor pulmonar. Tal procedimento é capaz de funcionar, teoricamente. A idéia de selecionar moléculas alvo em estruturas tumorais, resultando em um reagente útil para a exploração biológica e distribuição terapêutica é animadora.

O câncer é uma doença que quando descoberta a tempo pode ter um tratamento com 80% de cura. E quando não é descoberta a tempo, ou seja, encontrando - se em estágio avançado, o tratamento é muito intenso, com isso debilitando muito o paciente e causando vários problemas não só físicos, como emocionais também. A ciência vem a cada dia tentando descobrir novos métodos de cura para essa doença que atinge um grande percentual da população brasileira.
10/12/2009
Ana Xavier Landuyt - Equipe Biotec AHG
 

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