Conexão entre o vírus Influenza e a febre |
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Os vírus são, ainda, as menores entidades biológicas a que se pode atribuir um "plano de vida". A importância científica do seu estudo reside em dois pontos principais: no aumento do conhecimento da forma como utilizam os recursos energéticos das células hospedeiras e no esclarecimento de muitos dos mecanismos biológicos que utilizam ou têm de contornar para se poderem preservar como entidades biológicas autônomas. As doenças causadas por vírus contribuem de forma significativa para a morbilidade e mortalidade de muitas espécies vivas, com particular realce para o seu impacto em muitas das actividades económicas e industrializadas da sociedade actual. Felizmente, na maioria dos casos, a perigosa tomada de posse celular passa despercebida, não gerando graves consequências. Isto é garantido através de sensores que reconhecem o material genético externo, nesse caso, o de origem viral. Um deles é a proteína citoplasmática RIG-I (gene induzido por acido retinóico I). Ao identificar a presença de genes estranhos, esse sensor age estimulando a liberação de interferons, que constituem a primeira linha de resistência a muitas viroses. Um grupo desses compostos (IFNa e IFNb) é produzido por células infectadas por vírus, e um outro grupo (IFNg) é sintetizado por determinadas células ou linfócitos T ativados. No entanto, esta é apenas uma parte da verdade sobre esses sinalizadores biológicos. Segundo os resultados do estudo, RIG-I parece desempenhar um papel muito mais proeminente na defesa contra o vírus do que se pensava. Um dos efeitos observados muitas infecções virais, como a gripe, são acompanhadas por febres. Em se tratando do Influenza, que já deixou um saldo de mais de 20 milhões de mortos desde 1918, as temperaturas podem chegar até 41°C, em crianças. Este sintoma não pode ser explicado pela liberação de interferon e sim por outro grupo de substâncias. Na maioria das situações, são as citocinas que desencadeiam um estágio febril. Nesse trabalho, pesquisadores alemães foram capazes de mostrar, pela primeira vez, que RIG-I também fez aumentar, no caso de infecção viral, a produção da citocina central Interleucina 1, provavelmente a mais importante conhecida atualmente. O contato de RIG-I com o gene do vírus ocasiona duas respostas. A presença desse sensor garante que certas células imunes produzam a pró-interleucina. Ao mesmo tempo, ativa uma enzima através de um caminho complexo de sinalização, que age transformando o precursor em interleucina 1. Esta citocina principal assegura que os sintomas típicos de uma infecção por vírus, como febre ou calafrios, ocorram. Até o presente momento, os cientistas não sabem o quão importante este recém descoberto mecanismo imunológico é bem sucedido para a defesa contra o vírus. A liberação de interleucina também pode, entretanto, ter conseqüências negativas. Há a hipótese de que uma superprodução de citocinas pode levar a cursos extremamente graves de doenças virais. Medicamentos que impedem uma tempestade de citocinas podem, consequentemente, reduzir a progressão da doença. Todos os organismos vivos têm parasitas virais, fato esse que confere a estas pequenas entidades vivas um papel preponderante para as outras formas de vida, bem como para eles mesmos. O estudo dos virus para as modernas biotecnologias é de grande interesse, pois pode proporcionar, por exemplo, abordagens inovadoras para o mutante grupo das Influenzas.
27/11/2009
Ana Xavier Landuyt - Equipe Biotec AHG |
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