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Efeito da terapia gênica nas DDRs

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Milhões de pessoas em todo o mundo sofrem algum tipo de doença ligada à retina, tais como a retinopatia diabética, a degeneração macular relacionada à idade e o descolamento da retina. Essa estrutura tem uma importância fundamental para a visão, pois é responsável pela formação da imagem. Muitas vezes a perda da capacidade visual pode ser devida à doenças degenerativas dessa região, as quais afetam a camada de tecido que reveste a parte interna do globo ocular.

Estudos com diferentes abordagens vêm sendo conduzidos no intuito de diminuir a progressão da doença ou mesmo de recuperar a visão. Dentre elas, destacam-se as medicamentosas e o uso de lentes para a proteção contra a luz do Sol. Com os avanços científicos, novas áreas de tratamento e de cura das doenças degenerativas da retina (DDR) estão despontando, tais como a genética e a biologia molecular, o uso de medicamentos farmacêuticos e biotecnológicos, as cirurgias, o uso de células-tronco, a prótese retiniana ou olho eletrônico e a terapia gênica.   
 
As DDR têm origem em diferentes tipos de herança e têm ligação com um dos três padrões de herança genética - autossômica dominante, autossômica recessiva ou herança ligada ao cromossomo X.

Em um estudo desenvolvido por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia e do Centro de Terapia Celular e Molecular, do Hospital da Criança da Filadélfia, ambos nos EUA, foi utilizada a terapia gênica para melhorar a visão de cinco crianças e sete adultos com amaurose congênita de Leber (do inglês LCA). O artigo, contendo os resultados da pesquisa, foi publicado na edição online de outubro da revista The Lancet.  

Essa doença caracteriza-se pela baixa visão desde o nascimento, movimento ocular anormal e repetitivo (nistagemo) e por respostas eletrorretinográficas muito reduzidas ou indetectáveis, tanto dos cones como dos bastonetes.

A terapia gênica foi testada em doze adultos e crianças com LCA para avaliar o seu efeito na função visual e da retina. O seu uso se deveu ao grande potencial que essa terapia tem para reverter a LCA ou evitar o processo de deterioração da visão em pessoas que possuam a degeneração hereditária da retina incurável.

Os pacientes que participaram do estudo tinham idades que variavam dos oito aos quarenta e quatro anos e eram portadores de amaurose congênita de Leber ligada ao gene RPE65 (Retinal pigment epithelium-specific 65, em inglês), o qual codifica uma proteína localizada no epitélio pigmentar da retina.

A função da retina dos pacientes foi testada por meio de uma injeção aplicada na região subretiniana contendo um vírus (vetor) adeno-associado (do inglês Adeno-Associated Virus ou AAV). Esse vírus, utilizado como vetor, carregava um gene codificador da proteína responsável pela atividade da enzima isomerohidrolase, a qual está presente no epitélio pigmentar da retina.

Os resultados obtidos foram bastante positivos, pois nenhum paciente mostrou rejeição com a injeção, além disso, foram notadas melhorias nas medidas subjetivas e objetivas da visão. Foi possível constatar também, um aumento da resposta à luz pela pupila e um grau de sensibilidade à luminosidade muito semelhante entre um paciente de oito anos e outro com de mesma idade e visão normal.

A melhoria observada nos diferentes aspectos da visão dos pacientes, afetados pelas doenças degenerativas da retina, sustenta a tese de que o uso da terapia gênica pode ser uma ferramenta poderosa e eficiente na cura dessas desordens oculares.  O uso dos vírus adeno-associados como vetores para a transferência de genes é uma boa alternativa para contornar os problemas relacionados aos vetores adenovirais e retrovirais, despertando grande interesse na terapia gênica humana.
30/10/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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