Inibidores de quinase contra o câncer |
|
. |
O câncer pode ser definido, na verdade, como um conjunto de mais de cem enfermidades que, em comum, apresentam somente células malignas. Não só os tumores originados nos diversos órgãos apresentam características próprias, mas também aqueles oriundos de um mesmo tecido e que evoluem de forma variável em cada indivíduo. Estima-se, por exemplo, que um câncer de mama, para atingir 1 cm de diâmetro, pode envolver um processo neoplásico de dois a 17 anos, conforme o caso. Há tumores que se disseminam pelo organismo antes de serem detectáveis por exames radiológicos mais sensíveis, enquanto outros de aparência idêntica, retirados cirurgicamente quando já mediam 5 cm, nunca se espalham. É evidente que a escolha do tratamento precisa levar em conta todas essas peculiaridades.Cientistas da Universidade de Manchester, Reino Unido, descobriram um possível caminho terapêutico para o câncer. Esse abrange uma forma inovadora de permitir que células saudáveis sejam capazes de gerir as células cancerosas e detê-las no desenvolvimento de tumores, podendo assim, proporcionar uma nova abordagem para o tratamento de cânceres em estágios iniciais. Os pesquisadores encontraram um tipo especial de químicos, conhecidos como inibidores de quinase, que são capazes de abrir canais de comunicação sobre a superfície celular, permitindo assim a emissão de sinais entre as células saudáveis e as cancerosas. Quando os agentes inibidores foram adicionados a um frasco contendo uma mistura de células saudáveis e cancerígenas, a multiplicação dos componentes enfermos cessou e começou a agir como células benéficas novamente. Testes adicionais revelaram que substâncias químicas ajudaram as células cancerosas a formarem conexões com as vizinhas normais, o que permitiu que estas células passassem a controlar o mecanismo pelo qual as estruturas cancerígenas se dividem e crescem fora de controle. Os resultados deste estudo, publicados no Jornal Britânico do Câncer, são ainda mais emocionantes pelo fato dos inibidores de quinase, desenvolvidos juntamente com cientistas da Universidade de Salford, também no Reino Unido, parecem ser relativamente não-tóxicos e os efeitos positivos sobre as células cancerosas persiste mesmo quando as substâncias são retiradas do meio. Esse resultado indica que uma medicação baseada potencialmente em inibidores de quinase pode ser empregada como uma forma concisa de tratamento. A verificação de que os químicos utilizados não são tóxicos e que realmente não matam as células normais, como as terapias convencionais e que envolvem a quimioterapia e a radioterapia, são favorabilidades de suma importância. Nesse sentido, a produção de uma droga com essa base terapêutica proporcionaria escassos efeitos colaterais, oferecendo uma qualidade de vida melhor para os pacientes. De acordo com os pesquisadores, a próxima etapa da pesquisa será descobrir exatamente como os inibidores de quinase são capazes de aumentar o número de relações conectivas entre o câncer e as células normais. Uma vez que esta é conhecida, deve ser possível produzir um medicamento à base de tais substâncias e que futuramente poderia ser utilizado em seres humanos.
02/09/2009
Ana Xavier Landuyt - Equipe Biotec AHG |
© Biotec AHG 2010 - Todos os direitos reservados - Rua Dr. Melo Alves, 529, cj. 82. Cerqueira César. São Paulo - SP. Cep: 01417-010