Deleção de genes interrompe infecção |
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Na edição deste mês do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, foi publicado o artigo “Preerythrocytic, live-attenuated Plasmodium falciparum vaccine candidates by design”, que descreve o estudo realizado por pesquisadores do Instituto Walter e Eliza Hall, EUA, em parceria com cientistas do Japão e Canadá, para a produção da primeira vacina contra a malária. O medicamento será produzido a partir de uma cepa enfraquecida do parasita do P. falciparum, criada pelos pesquisadores. A malária é uma das oito doenças que a Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como de ocorrência exclusiva ou principalmente dos trópicos, ou seja, proliferam em condições climáticas quentes e úmidas. Essa enfermidade infecciosa e crônica é causada por protozoários parasitas do gênero Plasmodium que são transmitidos por mosquitos fêmeas do gênero Anófeles. Até o momento a técnica utilizada para controle da doença é a irradiação dos esporozoítos (forma infectante do parasita da malária), a qual impede a reprodução do Plasmodium. Nesse estudo, os pesquisadores realizaram o enfraquecimento do P. falciparum, causador da forma mais mortal da doença em seres humanos, a partir da deleção de dois genes fundamentais. Através dessa modificação genética, os cientistas testaram se seria possível atenuar o parasita, já em estágio avançado, no fígado. Para isso, o parasita P. falciparum geneticamente atenuado (do inglês, GAPs) sofreu deleções individuais e simultâneas dos genes P52 e P36. O processo utilizado foi o da recombinação do duplo crossing-over, com o objetivo de evitar a reversão genética dos parasitas-alvo. Essa modificação ocasionou no P. falciparum uma suspensão no seu desenvolvimento, durante a infecção das células hepáticas. Outros processos, tais como a replicação do parasita, ao longo do ciclo eritrocitário, a produção de gametócitos, a infecção pelo mosquito, e as taxas de produção de esporozoítos, não foram prejudicados pelas deleções. Entre os dois tipos de deleções testadas pelos pesquisadores, a deleção simultânea dos genes causou um defeito de crescimento no parasita, dentro do hepatócito, maior do que o causado pela mutação individual. Para avaliar esses defeitos, os cientistas realizaram testes in vitro e com um modelo animal, utilizando ratos (quiméricos) portando hepatócitos humanos. Os resultados mostraram que os GAPs com dupla deleção são os mais indicados para a produção de uma vacina capaz de impedir a infecção no estágio pré-eritrocítico. Levando em consideração que a entrada do parasita nas células hepáticas é o primeiro estágio da infecção pela malária no ser humano, depois da picada do mosquito, e anterior à infecção de outras células, a descoberta de uma vacina de ação pré-eritrocítica é de grande valia no combate à doença.
28/08/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
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