Funções adicionais dos genomas de retrovírus |
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A síndrome da imunodeficiência adquirida, SIDA, é uma doença provocada por vírus designados como HIV-1 e HIV-2, da família dos retrovírus. Uma vez instalado no organismo hospedeiro, o vírus, para se desenvolver e reproduzir, invade e destrói células que desempenham um papel principal na defesa imunológica, os Linfócitos T4. A SIDA, em sua fase final de evolução, provoca portanto uma diminuição total da capacidade humana de resistir a infecções, mesmo as mais simples e mais correntes, tornando-as tão graves e tão difíceis de tratar, que acabam por conduzir à morte. No Brasil há cerca de 630 mil pessoas portadoras desta enfermidade, sendo que 255 mil não têm conhecimento que a possuem.Os HIVs, assim como os vírus que causam a gripe, a hepatite C e a poliomielite, carregam sua informação genética em uma única fita de RNA, ao invés de uma molécula dupla de DNA. A informação codificada no ácido desoxirribonucléico está quase que inteiramente localizada na seqüência de seus monômeros de construção, os nucleotídeos. Todavia, a informação codificada no RNA é mais complexa. Este pode dobrar-se em arranjos e estruturas complexas, que são criadas quando a cadeia se dobra sobre si própria formando objetos tridimensionais. A estrutura do genoma inteiro do HIV-1 foi decodificada pela primeira vez por pesquisadores na Universidade da Carolina do Norte, EUA. Os resultados têm implicações para a compreensão generalizada das estratégias que os vírus, como o que causa a SIDA, utilizam para infectar seres humanos. O estudo também abre portas para futuras pesquisas que possam acelerar o desenvolvimento de medicamentos antivirais. Anteriormente a esta estudo, os cientistas somente tinham conseguido modelar regiões pequenas do genoma. O conjunto de genes do RNA de HIV é muito grande, composto de duas fitas de quase 10.000 nucleotídeos cada um. A tecnologia utilizada na pesquisa recebe o nome de Shape e foi desenvolvida no laboratório do cientista Kevin Weeks. Essa técnica permitiu analisar a arquitetura genômica de HIV isolados de culturas infecciosas, dotadas de trilhões de partículas virais. Os resultados da pesquisa comprovam que as estruturas de RNA influenciam nas múltiplas etapas do ciclo infeccioso de HIV. Esse estudo é a chave para revelar, em testes futuros, papéis adicionais dos genomas do RNA que são relevantes para o ciclo de vida destes vírus. Uma abordagem experimental interessante seria mudar a seqüência do RNA e verificar a ocorrência de reações. Se, por exemplo, o crescimento do vírus diminuir pela presença de mutações, é possível prever que algo importante para a dinâmica viral foi alterada. Os pesquisadores estão igualmente começando a compreender os truques utilizados pelo genoma de RNA e que auxiliam o vírus a escapar da detecção pelo organismo humano. O conhecimento cada vez mais consolidado sobre os retrovírus é essencial para a construção de estratégias capazes de salvar milhares de vidas em todo o mundo.
10/08/2009
Ana Xavier Landuyt - Equipe Biotec AHG |
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