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Estudo identifica novo vírus Marburg

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O vírus ebola foi descoberto pela primeira vez em 1976 por uma equipe comandada pelo chefe do laboratório de Microbiologia do Instituto de Medicina Tropical da Antuérpia, na Bélgica, Guido Van Der Groen. Desde que foi descoberto, diferentes estirpes do ebola causaram epidemias com 50 a 90% de mortalidade em diversas regiões da África, tais como a República Democrática do Congo, o Gabão, a Uganda e o Sudão. Até o momento, foram descobertas quatro estirpes do vírus: o Ebola-Zaire, Ebola-Sudão, Ebola-Côte d’Ivoire, e Ebola-Reston. Uma quinta foi descoberta, em novembro de 2007, próximo à cidade de Kinshasa, fronteira entre a Uganda e o Congo, porém ainda não recebeu nenhum nome.

Estudos anteriores mostraram que o vírus ebola está intimamente relacionado ao vírus Marburg, descoberto em 1967, sendo esses, os dois únicos membros da família Filoviridae que causam a epidemia da doença humana. Em um artigo publicado na edição desse mês, do periódico PLoS Pathogens, cientistas explicam como se deu a descoberta e o isolamento de um vírus Marbug de constituição genética diferente daquele descoberto pela primeira vez em 1967. Uma equipe de pesquisadores norte-americanos e africanos isolou o vírus de uma espécie de morcego, comum na África, conhecido como morcego frutívoro do Egito (Rousettus aegyptiacus) e que parece ser o hospedeiro natural do vírus.

Essa espécie tem hábitos noturnos, passando ao longo do dia pendurados em árvores ou dentro de cavernas, saindo à noite para se alimentar. Na região do Egito, onde foi realizado o estudo, encontra-se a caverna Kitaka (Uganda), de onde se extraiu minério da década de 30 até o ano de 1979, quando se encerraram as atividades de extração. Reaberta em 2007, um trabalhador das minas adoeceu e morreu vítima da Febre Hemorrágica de Marburg (em inglês, Marburg Hemorrhagic Fever, MHF), pouco tempo depois, a mina foi fechada.

Naquele mesmo ano dois trabalhadores apresentaram a MHF, porém, o espaço de tempo entre os dois casos, não indicou um vínculo epidemiológico entre eles. Após o primeiro caso foi realizado um estudo ecológico, o que sugere que o segundo minerador deva ter entrado na mina após essa investigação e que a atividade do vírus foi contínua. No intuito de compreender como se deram essas infecções, os pesquisadores isolaram o Marburg dos mineradores e determinaram o comprimento dos seus genomas, chamados de 01Uga2007 e 02Uga2007. As análises detectaram a imunoglobulina G específica do vírus Marbug (Marbug-IgG), nos trabalhadores.

Nesse estudo, os pesquisadores fizeram o isolamento do vírus diretamente de tecidos saudáveis dos morcegos, mostrando a capacidade desses animais de servirem como reservatório do microorganismo e um vínculo entre os vírus presentes nos morcegos e os que infectaram os trabalhadores das minas.

A análise das amostras obtidos dos morcegos mostrou que as seqüências genéticas do vírus apresentam uma grande diversidade genética, indicando que a infecção desses animais pelo Marburg é uma ocorrência antiga. A pesquisa tem grande importância para o setor de saúde pública do país, pois a partir dos dados obtidos será possível realizar um plano de medidas, no intuito de evitar novos surtos de infecção.
06/08/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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