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Esquistossomose no alvo dos cientistas

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Xistose ou barriga d’água são algumas das formas como é popularmente conhecida a esquistossomose, doença que, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta cerca de 210 milhões de pessoas. Destas, 10% estão sujeitas a morrer devido à doença. No Brasil, há em torno de 2,5 milhões de portadores da enfermidade. Aproximadamente 25 milhões de pessoas correm risco de contraí-la. A esquistossomose é causada por vermes do gênero Schistosoma que parasitam as veias do homem e de outros animais. A espécie presente na América do Sul, Antilhas e nos países africanos é o Schistosoma mansoni, que usa a água como meio para infectar o homem. No continente asiático é encontrado uma outra estirpe do parasita, o Schistosoma japonicum.

Uma equipe internacional composta por cientistas do Instituto Wellcome Trust Sanger, Reino Unido, e da Universidade de Maryland, EUA, liderada respectivamente, pelos pesquisadores Matthew Berriman, e Najib El-Sayed, sequenciaram o genoma do parasita S. Mansoni, enquanto que a espécie do protozoário encontrada na Ásia foi analisada pelo Consórcio para o Sequenciamento Genômico e Análise Funcional de Schistosoma japonicum.

Os dois genomas confirmam teorias sobre a biologia dos platelmintos - por exemplo, que dependem de seus hospedeiros pela incapacidade de produzir seus próprios ácidos graxos. Entretanto, o sequencionamento proporcionou também resultados inesperados. Uma classe nova de genes foi encontrada, provavelmente com a função de direcionar os movimentos das proteínas em torno das células do organismo. Esse direcionamento pode acontecer de inúmeras maneiras e acredita-se que esta variação ajuda o parasita a esconder-se do sistema imunitário do hospedeiro. O tamanho dos genomas, em termos de comprimento total, foi igualmente um resultado surpreendente para os pesquisadores.

O cientista da Universidade Aberystwyth, no Reino Unido, Karl Hoffman, e sua equipe, estão utilizando a informação genômica na pesquisa de alvos para a produção de medicamentos e vacinas. Os pesquisadores estão especialmente interessados nos genes que são encontrados no genoma de platelmintos, mas não no humano, de forma que as proteínas fabricadas pudessem ser o foco de novas terapias. Isso inclui os genes que, quando eliminados, cessam a produção de ovos pelo parasita fêmea.

O grupo do cientista Berriman está igualmente em busca de possibilidades para o desenvolvimento de novas drogas. O objetivo da pesquisa é estudar as similaridades parasita-hospedeiro, além do interesse por tratamentos já existentes e que poderiam ser eficazes contra a esquistossomose, por exemplo, a ciclosporina, medicamento utilizado em humanos como imuno-supressor, seria um possível candidato terapêutico para esquistossomose.

O sequenciamento de genomas é também uma relevante fonte de instrospecções sobre a evolução dos animais. A descoberta de novos genes permite preencher as lacunas evolutivas, além de possibilitar o conhecimento da dinâmica de certos genes, por exemplo, os Hox, que definem um padrão para a formação do eixo corporal, encontram-se agrupados em muitas espécies, mas nos schistosomas estão dispersos ao longo do genoma.

Com o sequenciamento genômico do Schistosoma, abrem-se agora novas perspectivas de exploração global da doença, o que permitirá inovadoras abordagens para a total compreensão da biologia do organismo e o desenvolvimento de fármacos e vacinas. Milhões de pessoas em todo o mundo podem ser favorecidas, principalmente aquelas que habitam as áreas endêmicas.


20/07/2009
Ana Xavier Landuyt - Equipe Biotec AHG
 

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