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Tarântulas usam seda para locomoção

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Um grupo de pesquisadores encontrou pela primeira vez tarântulas que podem produzir seda em suas patas. Além de suas estruturas localizadas no seu abdômen, uma descoberta com implicações profundas na sua evolução teve destaque no meio científico: Qual o motivo inicial por que as aranhas começaram a produzir a seda?

São vários os colaboradores do estudo: Stanislav Gorb do Instituto Max Planck para Investigação de Metais na Alemanha, Senta Niederegger da Universidade Friedrich Schiller de Jena na Alemanha, Cheryl Hayashi da Universidade da Califórnia em Riverside, Walter Votsch do Instituto Max Planck para a Biologia do Desenvolvimento na Alemanha, e Paul Walther da Universidade de Ulm na Alemanha. Os resultados foram publicados no n°. 7110 da revista Nature em 2006.

A equipe que fez a descoberta trabalhou com tarântulas-zebra, Aphonopelma seemanni, da Costa Rica. Os pesquisadores comprovaram que as tarântulas secretam seda por meio de uma espécie de adesivo em suas patas, que as permite prenderem-se melhor as superfícies. É um sistema de aderência que se baseia nas forças de Van der Waals geradas por uma míriade de pequenos pêlos que possuem nas patas. A seda das aranhas é produzida nas glândulas sericígenas, saindo através das fúsulas, tubos minúsculos, que se localizam nas extremidades das fiandeiras e nos seus declives laterais. 

A seda é excretada como um fluído viscoso que solidifica colando o fio ao substrato, permitindo à aranha agarrar-se mesmo a algo tão liso como o vidro. Até ao momento, somente se sabia que as aranhas produziam seda pelas estruturas localizadas em seu abdômen, com o propósito de usá-la para formar tecidos destinados a sua proteção, captura de presas, aspectos reprodutivos, mas não para sua locomoção.

Os pesquisadores acreditam que outras aranhas, além destas tarântulas, têm a habilidade de secretar seda em suas patas, isto poderá representar uma mudança drástica sob a hipótese evolutiva comumente aceita, com respeito a origem da seda das aranhas. Uma teoria apresentada é que a produção de seda se originou nas patas para aumentar a tração, diversificando-se depois para a secreção de seda no abdômen.

Os cientistas colocaram as tarântulas em uma superfície vertical de vidro. As espécies que habitam no solo, normalmente podem agarrar-se as superfícies verticais usando pequenas garras. No entanto, os pesquisadores observaram que, quando as aranhas começaram a cair, produziam seda em seus quatro pares de patas, o que as permitiu aderir-se ao vidro durante mais de 20 minutos. As secreções de seda eram claramente visíveis no vidro. Usando microscopia eletrônica, a equipe também pode ver as aberturas nas patas, muito similares as espitas produtoras de seda das estruturas abdominais de secreção.

O próximo passo, segundo Adam Summers, professor de Ecologia e Biologia Evolutiva na Universidade de Califórnia, em Irvine, é investigar se a seda produzida pelas patas é igual à produzida pelas estruturas localizadas no seu abdômen. Muitas aranhas podem gerar sete tipos diferentes de seda. Os especialistas buscaram os genes envolvidos na produção de seda das patas, comparando-as com a família dos genes que controlam a produção de seda nas estruturas localizadas em seu abdômen, para poder determinar melhor se a seda foi utilizada originalmente para a tração, ou se esse era um uso secundário que apareceu depois. No entanto, muitas aranhas parecem ter perdido a capacidade de ejetar os tais fios colantes a partir de suas patas.

Muitas empresas se interessam por esses processos. A DuPont, Empresa Internacional representada em mais de 50 países, acredita na utilização segura de produtos biotecnológicos provenientes desta descoberta. A empresa poderá vir a produzir fibras super resistentes e contribuir mais para a qualidade de vida das pessoas.

  
26/02/2007
 

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