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Novo software organiza dados clínicos

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O enorme volume de dados gerados desde o início do processo de sequenciamento do DNA, fez despontar no meio científico a bioinformática, uma área que está cada vez mais em ascensão e que tem como fundamentos o uso, organização e análise da informação biológica. Esse ramo da ciência promove a regularização de bancos de dados biomoleculares por meio de softwares e microcomputadores para fazer a análise e integração das informações.

Algumas dessas ferramentas foram recentemente desenvolvidas e estão sendo utilizadas por pesquisadores brasileiros do Centro de Estudos do Genoma Humano (CEGH), vinculado ao Instituto de Biociências da USP, para criar um banco de dados sobre doenças genéticas raras. O Centro desenvolve pesquisa básica e aplicada ligada ao estudo do genoma humano, doenças genéticas e pesquisas com células-tronco, além de atividades ligadas à educação e à transferência de tecnologia. Os resultados da implantação do novo software foram publicados em um artigo na revista BMC Genomics.

O projeto tem como um dos objetivos armazenar os dados clínicos e as informações genômicas e de testes moleculares realizados em diversos pacientes atendidos pelo centro, criando dessa forma, um dos maiores bancos de dados de doenças genéticas raras da população brasileira. Essas enfermidades estão relacionadas a doenças neuromusculares, malformações congênitas, de déficit cognitivo, obesidade de causa genética e autismo. Outra possibilidade que o programa poderá proporcionar, é o surgimento de bancos de dados de células-tronco de pacientes com doenças genéticas.

Esse banco de dados será construído graças a um software desenvolvido e implementado pela equipe de cientistas do Grupo de Modelagem de Banco de Dados, Transações e Análise de Dados (DATA Group), do Instituto de Matemática e Estatística (IME) e do Centro de Bioinformática da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com a pesquisadora do CEGH, Maria Rita dos Santos e Passos-Bueno, a idéia é usar o software para facilitar o acompanhamento e a seleção de pacientes para as pesquisas sobre doenças genéticas que as equipes estão estudando, assim como controlar o fluxo de exames clínicos e moleculares dos pacientes realizados pelo CEGH.

O funcionamento do software ocorre em ciclos, em que cada um consiste na coleta de amostras de sangue do paciente e de seus familiares para extração e análise do DNA para elaboração do laudo da doença genética. Esse processo será importante porque servirá de apoio para as decisões dos pesquisadores, em relação à escolha dos pacientes, explicou à Agência FAPESP o professor do IME, João Eduardo Ferreira.

Ele comentou também que para obter êxito, foi necessário transpor algumas barreiras técnicas tais como, a criação de um sistema de controle de fluxo dos exames, além de integrar dados clínicos e moleculares dos pacientes e seus familiares, e prover análises com eficiência aos pesquisadores do CEGH.

A forma que os cientistas encontraram para controlar o fluxo dos exames foi usar uma ferramenta que administra e executa as atividades desenvolvidas pela equipe. Já para os dados clínicos e moleculares não ficarem dispersos, foram empregados recursos de banco de dados que integram todas as informações que vão sendo cadastradas no sistema.

Superadas as principais barreiras os pesquisadores do CEGH iniciaram nos últimos meses testes pilotos com o novo sistema, a intenção é que até o segundo semestre desse ano eles expandam a sua utilização.

06/06/2012
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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