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Pesquisadores desenvolvem biodiesel a partir de fungo

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Um fungo encontrado na floresta úmida da Patagônia pode fornecer uma fonte alternativa de combustível biológico, de acordo com uma nova pesquisa publicada na revista Microbiology do mês de novembro.

O fungo, Gliocladium roseum, cresce em árvores do tipo ulmo (Eucryphia cordifolia), uma espécie nativa da Patagônia, muito comum em territórios do sul da Argentina e do Chile. Os pesquisadores observaram que o G. roseum possui a maquinaria metabólica ideal para produzir uma grande variedade de hidrocarbonetos, idênticos aos compostos do diesel, obtidos de plantas bioenergéticas, como o milho, a cana de açúcar e o girassol.

Devido a esta propriedade, os gases voláteis produzidos pelo fungo foram designados de “myco-diesel”. O professor de patologia de plantas da Universidade Estadual de Montana, EUA, Gary Strobel, frisou que muitos fungos produzem álcool etílico, mas que nenhum deles faz, até agora, essa mistura de hidrocarbonetos diesel. O fato de o G. roseum produzir myco-diesel diretamente dos produtos ricos em celulose, saltando a etapa da fermentação necessária para produzir o álcool etílico, torna a descoberta ainda mais importante. Visto que a celulose é a substância orgânica mais abundante no planeta, acredita-se que há muito substrato para o fungo em questão na região onde ele é encontrado.

Considerando o acentuado aumento dos preços dos alimentos globais, o trabalho ressalta que é oportuno e interessante o fato de o G. roseum utilizar celulose para a produção de hidrocarbonetos. A partir de grãos de gêneros alimentícios atualmente descartados, o fungo pode ser explorado sem grandes custos.

Strobel não sabe quando o combustível proveniente desse fungo estará disponível comercialmente, visto que há muitas etapas a serem pesquisadas antes de produzir o diesel em uma escala industrial. Uma fase importante será a descodificação da composição genética do G. roseum para identificar os genes responsáveis por suas propriedades na produção de biodiesel.

Os pesquisadores verificaram que o fungo produziu menos myco-diesel ao ser alimentado por celulose ou comparado à capacidade de produção vista na alimentação com açúcares. No entanto, para Strobel, novidades na tecnologia da fermentação e na manipulação genética poderiam ajudar a melhorar o rendimento e levar à maior produtividade do fungo.

Os pesquisadores de agências governamentais norte-americanas e de indústrias privadas já têm mostrado interesse no organismo. Novas pesquisas adicionais serão realizadas juntamente com a faculdade de engenharia da Universidade Estadual de Montana e com uma equipe de pesquisadores da Universidade de Yale.

27/11/2008
 

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