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Arroz é convertido em biodiesel no Rio Grande do Sul

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A Faculdade de Química da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) vem se juntar às muitas outras instituições que têm preocupação com o meio   ambiente e pretendem dentro do meio acadêmico estudar e por em prática fontes não-renováveis como os biocombustíveis que já são desenvolvidos em várias regiões do planeta. Porém a originalidade reside na matéria-prima, o arroz, cereal de grande expressão agrícola no Rio Grande do Sul. 

O projeto, Obtenção de biodiesel a partir do óleo do farelo de arroz, levou Tatiana Magalhães da Silva, mestranda em Engenharia e Tecnologia dos Materiais da PUCRS, a receber o 1º lugar na categoria Química Industrial do Prêmio Associação Brasileira de Química. O projeto financiado pela Associação dos Arrozeiros de Uruguaiana tem todo o interesse dos agricultores, e as pesquisas decorrem desde agosto de 2005.    Além do uso de arroz o projeto conta com outra particularidade. O método para chegar ao biocombustível passa pelo uso do etanol (mais conhecido como álcool etílico) que é proveniente da cana-de-açúcar. Na maior parte dos processos de biodiesel usa-se o metanol (derivado do petróleo) no processo de transesterificação. O problema da utilização do etanol é o seu grau de pureza,  pois caso não seja de 99% ou mesmo 100% puro, torna inviável a produção de biodiesel ou indispensável a sua purificação (destilação). Também complica muito o processo de produção, pois deve-se ter a garantia que o etanol não vá absorver água em todo o processo. O metanol por sua vez é um líquido inflamável e extremamente venenoso, é absorvido pela pele e pode causar cegueira.

Apesar da eficiência do processo de conversão e do aproveitamento da glicerina, o biodiesel brasileiro ainda é mais caro do que o diesel comum. Para qualificar um produto desta natureza a sua eficácia precisa ser comprovada través de testes em motor para avaliar o desempenho do produto. Os ensaios normalmente ficam a cargo de Departamentos de Mecanização e Laboratórios credenciados. Os veículos podem ser avaliados em condição de campo sob cinco tipos de mistura biodiesel-óleo, por exemplo: B100 (apenas biodiesel), B25 (25% de biodiesel e 75% de óleo), B50 (metade biodiesel e metade óleo), B75 (75% de biodiesel e 25% de óleo) e apenas óleo diesel.      No caso específico deste biodiesel proveniente de arroz os testes devem passar por  níveis semelhantes a estes, correspondentes às porcentagens estabelecidas pelo Programa Nacional do Biodiesel. Se os resultados forem positivos o biodiesel desenvolvido poderá entrar no mercado assim que houver estrutura para ser fabricado em grande escala.

Lançado em 2005, o programa autoriza o uso comercial do biodiesel em todo o território nacional e estabelece os percentuais de mistura ao diesel de petróleo de 2% a partir de 2008, podendo chegar a 5% até 2013. Existe uma extensa rede que envolve universidades, institutos de pesquisa, associações empresariais, agências reguladoras e de fomento, empresas, cooperativas e ONGs interessadas no desenvolvimento e na implantação do biodiesel

Em maio de 2004 a BIOTEC AHG acompanhou a inauguração do Pólo Nacional de Biodiesel em Piracicaba. No final desse mesmo ano o Governo lançou o Programa Nacional de biodiesel. Em maio de 2005, deu-se o convênio para a realização de testes de biodiesel em tratores. Todos esses fatos possíveis de serem consultados nos nossos acervos ilustram o avanço claro do Brasil na questão da independência energética e o interesse do nosso Portal à estas matérias.     Atualmente, segundo o Programa Nacional a BR Distribuidora investiu R$ 5,4 bilhões para crescer nos passos do refino e do biodiesel, e Brasília foi palco este mês da primeira reunião do Selo Combustível Social, um momento importante no cronograma do Programa Nacional de Biodiesel.  


O Biodiesel

Segundo o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel o biodiesel é um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, que pode ser obtido por diferentes processos tais como o craqueamento, a esterificação ou pela transesterificação. Pode ser produzido a partir de gorduras animais ou de óleos vegetais, existindo dezenas de espécies vegetais no Brasil que podem ser utilizadas, tais como mamona, dendê, girassol, babaçu, amendoim, pinhão manso e soja, dentre outras. Sua aparência em geral, é amarelada podendo ser muito claro ou mesmo alaranjado. O odor é parecido com o do óleo vegetal de origem.

O biodiesel é um produto ecologicamente correto. É um lubrificante muito melhor do que o diesel de petróleo, pois tem um grande poder lubrificante, mais viscosidade e desgasta menos o motor. Hoje, o maior produtor mundial é a Alemanha onde há quase 2.000 postos que vendem biodiesel puro e uma produção de mais de 1 bilhão de litros por ano. O biodiesel é um dos únicos produtos industriais que não necessita de “economia de escala”. Isto quer dizer que uma pequena usina que produza 2.000 litros por dia compete em termos de custo final do combustível com uma usina maior, que produza 10.000 ou 100.000 litros por dia.

  
24/09/2006
 

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