Logotipo Biotec AHG

Fatores de transcrição e a diversidade

Imprimir .
Recentemente, cientistas da Universidade de Stanford, juntamente com a Faculdade de Medicina de Yale, realizaram uma pesquisa através da qual demonstraram que as diferenças que nos tornam únicos são determinadas não apenas pelos genes, mas pela interação entre eles. Além disso, as proteínas denominadas fatores de transcrição, que, por sua vez, podem variar significativamente entre duas pessoas, também são responsáveis pelas diferenças, interferindo na aparência, no desenvolvimento e até na predisposição a ter doenças.

Esses pesquisadores se dedicaram exclusivamente ao estudo dos genes, para entender o papel da expressão gênica na diversidade fenotípica. Para a pesquisa em questão, foi feito um mapeamento em diferentes sítios de fatores de transcrição (FT), dentre eles os de ligação de um FT à RNA polimerase II e os de ligação de um fator nuclear regulador da resposta imune, o NFkB (p65), ambos em diferentes linhas de células linfoblastóides. O mapeamento também foi feito em células de um chimpanzé, por meio de imunoprecipitação da cromatina, seguida de sequenciamento.

Como resultado, foi possível perceber que 25% dos sítios relacionados à RNA polimerase II e 7,5% dos sítios relativos ao NFkB apresentaram diferenças nas ligações. Comparando os sítios da polimerase de humanos e de chimpanzés, os resultados sugeriram que a diferença de ligação é cerca de 32%; entre os indivíduos, essas diferenças foram frequentemente associadas às variações de sequência ou estruturais das proteínas locais.

Os genes que carregam as instruções específicas para produzir proteínas variam apenas 0,025% em todos os seres humanos, e os cientistas passaram décadas tentando entender como essa pequena diferença afeta quem somos. Em contrapartida, as regiões conhecidas como não codificantes, que representam cerca de 98% do nosso DNA, variam em sua sequência entre 1% e 4%, porém são pouco estudadas, e os cientistas ainda não entendem como contribuem para a expressão de genes e a determinação do que somos.

O professor Snyder da Universidade de Stanford comemora o fato de sua equipe de pesquisa ser a primeira a caracterizar a diferença entre os indivíduos, observando fatores de transcrição envolvidos no controle das regiões de expressão gênica, e acredita que as diferenças de ligação e os níveis de expressão são hereditários.

Em particular, os pesquisadores descobriram que diversas das regiões variáveis de ligação estavam perto de genes envolvidos em doenças como diabetes tipo 1, lupus, leucemia e esquizofrenia. Snyder e seus colegas também observaram que uma única mudança, na sequência específica do DNA, afeta a capacidade das proteínas de "controle" (fatores de transcrição) de se ligarem às regiões da expressão gênica, podendo ter como resultado uma variação significativa na expressão dos genes próximos.
31/03/2010
Denise Cruz - Colaboradora Biotec AHG
 

 © Biotec AHG 2010  - Todos os direitos reservados -  Rua Dr. Melo Alves, 529, cj. 82. Cerqueira César. São Paulo - SP. Cep: 01417-010