Sexagem poderá controlar a dengue |
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A edição do dia 22 de fevereiro da Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) trás um artigo com os resultados de uma pesquisa de interesse para toda a população, principalmente dos grandes centros urbanos, assim como das autoridades de saúde pública. O estudo teve como objetivo desenvolver uma nova forma de combate ao vetor do vírus da dengue, o mosquito da espécie Aedes aegypti. Atualmente, a técnica que tem sido utilizada com maior freqüência é a pulverização de inseticidas, além das medidas preventivas. O A. aegypti, uma espécie de mosquito hematófago, chegou à América do Sul através de barcos que vieram da África, no período colonial, e que transportavam escravos. A fêmea desse mosquito é o vetor do arbovírus, que causa uma doença infecciosa chamada dengue. Esse vírus pode ser de quatro tipos, DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4. Esse vírus ocorre principalmente em áreas tropicais e subtropicais do mundo, inclusive no Brasil. O período de maior incidência de epidemias ocorre geralmente no verão, durante ou imediatamente após períodos chuvosos. Sua transmissão não ocorre pelo contato de uma pessoa sadia com um doente ou através de suas secreções, nem por fontes de água ou de alimento. Com base nas dificuldades de combater o desenvolvimento das larvas do mosquito e consequentemente da forma adulta, é que pesquisadores das Universidades da Califórnia, Irvine e de Oxford, ambas nos EUA, e da empresa Oxitec Ltd., criaram uma nova raça de mosquitos. A técnica utilizada pelos cientistas baseia-se na criação e liberação para o ambiente de mosquitos machos geneticamente modificados que, ao cruzarem com as fêmeas, transmitirão dois trangenes separados ou somente um transgene. Isso ocorrerá a partir do uso de um promotor originado do gene Actin-4 (AeAct-4) que se expressa no músculo responsável pelo vôo, especificamente nas fêmeas. Esse promotor fica ativo nas pupas (estágio entre a larva e o adulto em insetos) fêmeas, principalmente nos IMF’s (indirect flight muscles), músculos relacionados ao vôo. Ao chegarem á fase adulta, os mosquitos fêmeas não serão capazes de voar e consequentemente, não se reproduzirão. A análise desse gene mostrou que ele possui uma baixa taxa de transcrição nas larvas de mosquitos machos, isto quer dizer que o efeito do gene é muito maior nas larvas de fêmeas. A técnica desenvolvida nesse estudo pode ser uma ferramenta eficiente no combate ao mosquito vetor da dengue, quando comparada com a mais utilizada, que é a pulverização de áreas com maior risco de proliferação das larvas do mosquito, assim como daquelas onde a doença já se instalou na população. Outra vantagem dessa técnica é que ela diminuirá a necessidade de utilização de inseticidas, pois eles deixam resíduos, o que acaba por agredir o meio ambiente.
27/02/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
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