Envelhecimento e variantes genéticas |
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Podemos entender por envelhecimento, como uma série de alterações que vão ocorrendo no organismo ao longo do tempo vivido. O ramo da ciência que se propõe a estudar o processo de envelhecimento, em seus aspectos biopsicosociais e os múltiplos problemas que possam envolver o ser humano, é a Gerontologia. Este processo tem como consequências mudanças nas funções e na estrutura do corpo, tonando-o mais suscetível a uma série de fatores prejudiciais, como por exemplo, a falha imunológica, a renovação celular comprometida e também o estresse ambiental. O envelhecimento pode ser melhor compreendido a partir do conhecimento da renovação celular, processo pelo qual as células prestes a morrer duplicam-se por meio de um mecanismo de divisão celular conhecido como mitose, à exceção das células musculares e nervosas. À medida que novas células vão sendo formadas, os telômeros – estruturas encontradas nas extremidades dos cromossomos eucarióticos – começam a se encurtar e após sucessivos ciclos de divisão, acabam por desaparecer e as células, perdendo a sua capacidade de renovação, envelhecem e morrem. Buscando aumentar o conhecimento sobre a relação entre os processos que envolvem a renovação celular e o envelhecimento humano, é que pesquisadores identificaram pela primeira vez as variantes que estão relacionadas com esse evento biológico. Para isso, foram realizadas análises de associações do genoma utilizando o comprimento dos telômeros de leucócitos de 2.917 voluntários e o acompanhamento da replicação dessas células em 9.492 indivíduos. O objetivo da pesquisa foi o de identificar as variantes localizadas próximas a um gene chamado Terc (componente RNA da telomerase). A telomerase é uma enzima que tem a função de manter a estrutura do telômero, ao acrescentar sequências repetitivas (TTAGGG) à extremidade dos cromossomos eucarióticos. Isso evita a tendência de encurtamento dos cromossomos a cada ciclo de duplicação. Sua expressão tem um importante papel no envelhecimento das células, mas devido ao bloqueio do seu funcionamento nas somáticas após o nascimento, dá início a um progressivo encurtamento dos telômeros. É possível avaliar o envelhecimento cronologicamente, que leva em consideração a idade do indivíduo, e biologicamente que se baseia na comparação da idade das células em relação àquela que a pessoa tem. A pesquisa mostrou que os indivíduos portadores de determinadas variantes genéticas, possuem telômeros mais curtos, o que biologicamente significa uma maior idade. Levando em consideração que a ligação entre o encurtamento dessas estruturas com as doenças associadas à idade, os resultados do estudo levantam a hipótese de um maior risco de desenvolvimento de certos males nos indivíduos que apresentaram as variantes. O estudo levou os pesquisadores a acreditarem também que alguns indivíduos são geneticamente programados para envelhecerem em um ritmo mais rápido. De acordo com os resultados da pesquisa, o encurtamento dos telômeros analisados corresponderia a uma média de idade de 3,6 anos.
Cientistas da Universidade de Leicester e do King’s College, ambas da Inglaterra e da Universidade de Groningen, Holanda, foram os responsáveis pela pesquisa. Os seus resultados podem ser encontrados em um artigo publicado na Nature Genetics.
11/02/2010
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG |
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