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As mudanças no estilo de vida da população, principalmente nos grandes centros urbanos, requerem o desenvolvimento de novas tecnologias que permitam a adaptação do ser humano às novas condições. Dentre tantas mudanças, os hábitos alimentares são os que mais sofrem alterações, afetando diretamente o equilíbrio orgânico, por isso a necessidade de desenvolver novos conceitos alimentares.
Como parte desses conceitos, está a nutrição otimizada, que tem como objetivo maximizar as funções fisiológicas do indivíduo, garantindo o bem estar, a saúde e procurando minimizar as chances do desenvolvimento de doenças à longo prazo. Um exemplo desse conceito de nutrição são os probióticos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002), os produtos probióticos são compostos formados por organismos bacterianos vivos que, se ingeridos em dosagens adequadas, conferem benefícios fisiológicos definidos e adequados. O papel desses produtos é o de manter o equilíbrio da microbiota intestinal humana.
Na indústria alimentícia, os probióticos são conhecidos também como alimentos funcionais, que têm como principais representantes os produtos lácteos. A adição de microorganismos como o Lactobacillus rhamnosus GG (LGG ®) confere a esses produtos a característica de alimentos funcionais, por isso, essa bactéria é uma das mais estudas e utilizadas nessa classe de produtos. No intuito de aumentar os conhecimentos sobre a função biológica exercida por esse lactobacilo no organismo humano, é que pesquisadores do Instituto de Biotecnologia e do Departamento de Ciências Veterinárias Básicas da Universidade de Helsinque (Finlândia), coordenaram uma equipe internacional de cientistas que realizou o seqüenciamento genético do L. rhamnosus GG. Os resultados do trabalho podem ser encontrados na edição online desse mês do periódico PNAS.
O estudo se baseou na comparação entre a seqüência genômica de 3.0-Mpb da bactéria Lactobacillus rhamnosus GG, com um segmento de mesmo tamanho do genoma da Lactobacillus rhamnosus LC705 com o objetivo de avaliar a capacidade de ligação com o muco intestinal. Essa comparação mostrou que há uma elevada identidade e sintenia entre as sequências. A partir dessa análise ficou constatado também que há colinearidade em cinco ilhas genômicas da bactéria L. rhamnosus GG e em quatro da L. rhamnosus LC705. A análise das ilhas genômicas da bactéria GG mostrou a existência de genes específicos que codificam componentes de bacteriófagos, do metabolismo de açúcares e de transporte e a biossíntese de exopolissacarídeos. Esses sacarídeos são biopolímeros com potencial para serem usados como aditivos naturais ou ingredientes alimentares funcionais. Em uma dessas ilhas, exclusiva da L. rhamnosus GG, foi encontrado um grupo de genes que expressam proteínas da superfície celular da bactéria. Esse componente protéico encontrado pelos pesquisadores exerce um importante papel na ligação da bactéria com o muco intestinal.
Os pesquisadores descobriram também que a parede da bactéria possui estruturas na sua superfície que desempenham um papel de adesão. A descoberta desse componente foi feita usando-se anticorpos anti-Spac e confirmado pela técnica de immunoblotting.
Os resultados da pesquisa mostraram que a presença da proteína Spac é essencial para que haja a interação entre o muco intestinal e a L. rhamnosus GG, o que pode ser a explicação mais provável para a grande capacidade da bactéria de permanecer no intestino humano.
14/10/2009
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
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