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Células-tronco vegetais

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 A ciência vem realizando diversos estudos com as células-tronco animais e humanas a fim de aprofundar o conhecimento sobre esses tipos especiais de células e com isso, aproveitar o máximo do seu potencial como uma poderosa ferramenta terapêutica. No entanto, e apesar desses conhecimentos serem maciçamente difundidos, a existência das células-tronco não é um privilégio apenas dessas espécies, pois elas também são encontradas nos vegetais.

O desenvolvimento dos vegetais ocorre, principalmente, devido à presença dos meristemas – tecidos responsáveis pelo crescimento dos vegetais. Sua principal característica é a habilidade de dividir suas células por mitose. A partir dos tecidos meristemáticos são formados os tecidos adultos da planta. Os tecidos meristemáticos estão classificados em primários e secundários.

Formados por células embrionárias indiferenciadas, os meristemas primários, também conhecidos como apicais, estão localizados nas gemas apicais e laterais do caule e da raiz, formando os pontos vegetativos.

O importante papel desempenhado por esses tecidos no crescimento das plantas, despertou o interesse do pesquisador do Texas AgriLife e professor de bioquímica e biofísica da Universidade A & M do Texas (EUA), o Dr. Xiuren Zhang, sobre como o controle das células-tronco das plantas poderia, eventualmente, ajudar a por exemplo, produzir mais frutos, sementes e folhas. O estudo foi publicado na edição do dia 15 de abril da revista Cell.

A espécie utilizada pela equipe, a Arabidopsis, é muito utilizada para estudos científicos por ser a primeira planta com o genoma seqüenciado.  Resultados obtidos em outros estudos mostraram que existe um gene nessa espécie, conhecido como Argonauta 10 (AGO10), que tem a sua expressão ligada à regulação do desenvolvimento das células do meristema. Alem desse, o vegetal possui outros 10 genes AGO, os quais estão relacionados diretamente com processos biológicos, como o desenvolvimento e a formação do meristema foliar.  Entretanto, o mecanismo que executa essas funções ainda não é bem compreendido.

No estudo atual, os pesquisadores descobriram que a formação do tecido proveniente das células meristemáticas depende de fatores de transcrição Homeodomain-Leucine Zipper classe III (HD-ZIP III) e que são alvos do miR166/165 – um tipo de microRNA que regula a expressão gênica. Nessa espécie o AGO10 tem o papel de regular a manutenção das células meristemáticas, e no estudo, ficou comprovado que esse gene faz uma interação especifica com o miRNA166/165. Dessa forma, os cientistas descobriram que a deficiência nessa ligação, entre o gene e o microRNA, terá como resultado a má formação do meristema e que a capacidade de se manterem ligados e necessária para que as células meristemáticas se desenvolvam.

Esses resultados levaram os pesquisadores a acreditar que as funções do gene AGO10 em atrair o miRNA166/165 para manter as células meristemáticas, impedem a sua incorporação em complexos de genes AGO10 e conseqüentemente, a repressão da expressão do gene HDZIPIII.

27/05/2011
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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