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Parasita usa RNAm de planta hospedeira

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Algumas espécies de plantas, que estabelecem um tipo de relação muito estreita com outras plantas, são conhecidas como parasitas. Elas são classificadas de duas formas, holoparasitas (parasitas totais) e hemiparasitas. As primeiras não realizam fotossíntese ou quimiossíntese e são conhecidas como verdadeiras parasitas, roubando a seiva elaborada de vegetais superiores. As segundas realizam fotossíntese e tiram, das plantas hospedeiras, apenas a seiva bruta (água e sais minerais). Para retirar o que precisam, as plantas parasitas se utilizam de órgãos especiais que penetram os vasos condutores e sugam as seivas.     A professora e pesquisadora Neelima Sinhá, com o apoio de sua equipe, desenvolvera, na seção de biologia vegetal, da Universidade da Califórnia, situada em Davis, uma pesquisa que envolveu a espécie Cuscuta PentagonaI e um tomateiro (Solanum lycopersicum). A praga parasitou a leguminosa, retirando a água e os nutrientes necessários. Os pesquisadores descobriram que, juntamente com as seivas, cópias de moléculas de RNAm, da planta hospedeira, são transportadas para dentro do sistema de vasos da planta parasita. 

A descoberta dos pesquisadores ainda não estava completa, pois eles não conheciam a atuação nem a estabilidade das moléculas dentro da planta parasita. A técnica usada pelos pesquisadores, para sanar estas dúvidas, foi a reação de ligação in situ da transcriptase-polimerase reversa (RT-PCR, sigla em inglês para in situ reverse transcriptase–polymerase chain reaction). Esta técnica permitiu que os pesquisadores amplificassem e localizassem as moléculas de RNAm transcritas, da planta hospedeira, nos tecidos da planta parasita. Foram encontrados, na daninha, proveniente do tomateiro, quatro RNA mensageiros, subunidades beta e alfa do pirofosfato (PPi) – fosfofrutokinase dependente (LePFP) –, subunidade menor da ribulose-1,5-bisfosfato carboxilase/oxigenase (RuBisCO) e ácido giberélico insensitivo (LeGAI).

As moléculas de RNAm da LePFP, transferidas do tomateiro, foram localizadas nas células do parênquima e do floema da planta “invasora”. A versão transcrita da subunidade, por sua vez, foi encontrada, pelos pesquisadores, ao longo da parasita. Em vegetais, o parênquima é um tipo de tecido pouco especializado e que forma o interior de alguns órgãos de plantas vasculares (que possuem xilema e floema). O floema é o tecido responsável pelo transporte da seiva elaborada (matéria orgânica em solução).     De acordo com os resultados obtidos, os pesquisadores acreditam que as moléculas de RNAm são transportados da planta hospedeira para a parasita, por meio de conexões do tipo simplásticas, que ocorrem entre as células do parênquima. De acordo com os pesquisadores, as moléculas de RNAm se movem pelo floema e adquirem estabilidade em partes distantes, dentro da planta parasita. A partir desse conhecimento, os cientistas pretendem utilizar o RNAm para destruir o parasita ou enfraquecê-lo, causando pequenos danos. Os resultados da pesquisa podem ser encontrados no periódico New Phytology, na edição de 4 de agosto.
07/08/2008
Arlei Maturano - Equipe Biotec AHG
 

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